segunda-feira, 19 de outubro de 2009

VII Bienal Internacional de Dança do Ceará

Que estratégias estéticas, éticas, políticas, econômicas desenvolvem os artistas frente a uma possível nova ordem de organização do campo da dança? Como se situam, agrupam, articulam? De que modos colaboram, criam, circulam, sobrevivem criadores e intérpretes da dança hoje? Por que insistem e como subsistem as companhias independentes? Como ecoam as questões políticas e econômicas na conformação de propostas de trabalho, no formato e nas poéticas das criações artísticas? Da companhia ao projeto autoral, da colaboração individual aos coletivos artísticos, quais são as motivações éticas e estéticas?
Atravessada por essas questões, a Bienal Internacional de Dança do Ceará ultrapassa uma década de existência afirmando a dança no Ceará e resistindo em meio à profusão do efêmero. Nesses 12 anos, os campos da cultura e das artes no Brasil redesenham-se por movimentos e embates contínuos, ávidos de novos possíveis. A dança, nesse contexto, traçou caminhos, múltiplos, reconfigurando-se em meio a forças de toda ordem. Novas formas de estar nesse campo atualizam-se incessantemente, revelando possibilidades construídas no pulsar de um tempo-espaço novo, atravessado por fluxos e afetos imanentes.
Anos contundentes para a dança produzida no Brasil. Multiplicidade de configurações nos processos de criação, produção, manutenção, difusão. Ecoando questões de diversas ordens – estéticas, sociais, políticas, econômicas – novas éticas e poéticas parecem inaugurar-se, mesclar-se e fundir-se para tornarem-se fontes de atitudes e atos em meio à estruturação da dança. São ações que apontam para formas outras de perceber, organizar, colaborar, criar, mobilizar, atuar nesse campo. As ferramentas tecnológicas colaboram para encurtar caminhos, viabilizar redes, facilitar agenciamentos.
Na interface com a política, os profissionais das artes e da cultura travam embates que em muito se assemelham a uma guerra de guerrilhas. Enquanto alguns desdobramentos artísticos significativos traçados pelas artes apontam para uma impossibilidade de retorno, as conquistas políticas parecem nunca estar asseguradas. Em todo o Brasil, casos de retrocesso político parecem multiplicar-se com facilidade inversamente proporcional à dificuldade com que os avanços foram conquistados.
Portanto, nesse movimento, delineia-se um painel rico e multifacetado de propostas e assinaturas singulares, provenientes de contextos distintos, nacionais e internacionais. Breve apanhado de obras feitas em cenários em constante mutação, atravessados pela intensidade dos processos culturais e políticos contemporâneos, mas também, e, sobretudo, conseqüência e causa de formas outras de habitar a dança.
Patrícia Cavalcante
Fonte: Centro Cultural Dragão do Mar

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