segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Nossa Realidade nas Telas dos Cinemas

Nossa Realidade nas Telas dos Cinemas
Pixote – A Lei do Mais Fraco, um filme de Hector Babenco

Pixote (Fernando Ramos da Silva) foi abandonado por seus pais e rouba para viver nas ruas. Um pequeno contraventor de 11 anos, é encarcerado na Febem, em São Paulo, onde faz amizades e presencia violências, tráfico de drogas e todo tipo de corrupção. Aproveitando-se da visita de um juiz de menores, o garoto foge da instituição com o travesti Lilica e seu amante Dito. O bando vai ao Rio de Janeiro vender cocaína, depois de praticar pequenos roubos em São Paulo. Uma dançarina compradora de drogas tenta enganá-los e é morta por Pixote.
Pixote - A Lei do Mais Fraco foi considerado o melhor filme estrangeiro, em 1981, pela Associação dos Críticos de Los Angeles e Nova York. Marília Pêra recebeu menção de melhor atriz do ano pela Sociedade Nacional dos Críticos de Cinema nos Estados Unidos.
A fama internacional, que possibilitou ao cineasta criar uma carreira em Hollywood, não veio de graça. A história do menino de 11 anos analfabeto e que nunca conheceu os pais, vivendo entre celas de reformatórios e quartos fedorentos no submundo, é cinema do mais alto nível, destrinchando a realidade dura e trágica da vida no submundo de forma crua e impiedosa, sem aliviar um só segundo na espantosa carga de imagens de violência a que os personagens são submetidos. O impacto emocional de “Pixote” continua devastador, especialmente quando se sabe que a realidade da juventude que mora nas ruas, no Brasil, não mudou nada desde que o longa-metragem foi realizado.
O roteiro, escrito por Babenco e Jorge Duran, traça um retrato profundo da realidade das crianças abandonadas no Brasil. O filme funciona como uma radiografia completa da vida nas ruas de uma grande metrópole, com tudo o que isso significa: corrupção e violência policial, ausência absoluta de afeto familiar, promiscuidade, envolvimento com tráfico de drogas e prostituição e, acima de tudo, a indiferença de uma classe média que se relaciona lateralmente com esta mesma periferia, evitando-a e varrendo-a para baixo do tapete. O maior mérito do escritor é dar conta de todas essas facetas da realidade dos meninos de rua sem jamais perder o foco nos personagens, sempre humanos e bem definidos.
FICHA TÉCNICA
Direção: Hector Babenco, Roteiro: Hector Babenco e Jorge Durán, Produtor: Paulo Francini e José Pinto, Ano: 1981, Gênero: Drama, Duração: 127’
ELENCO
Fernando Ramos da Silva (Pixote), Marília Pera (Sueli), Jorge Julião (Lilica), Gilberto Moura (Dito), Edílson Lino (Chico), Zenildo Oliveira Santos (Fumaça), Cláudio Bernardo (Garatão), Israel Feres David (Roberto Pie de Plata), José Nílson Martins dos Santos (Diego)

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